A tarifa de 25% estabelecida pelo governo dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras ameaça a relação comercial entre os países. O movimento abre margem para limitar a entrada de dólares no Brasil e reverter a recente trajetória de desvalorização da moeda norte-americana em relação ao real.
O que aconteceu
– Tarifaço vai limitar as exportações aos Estados Unidos. As perspectivas indicam que as cobranças vão atingir pelo menos 3.000 produtos, com perda potencial de US$ 11 bilhões. “O impacto para alguns setores tende a ser maior, a partir do momento em que eles têm de 70% a 80% de sua exportaçãopara os Estados Unidos”, diz Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos.
– EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,7 bilhões para os norte-americanos, valor que corresponde a 10,8% do total vendido. Isso fica atrás somente do volume vendido para a China (US$ 99,9 bilhões), que recebeu 28,7% de todas as exportações brasileiras (US$ 348,3 bilhões).
– Exportações para os norte-americanos já vinham perdendo fôlego. No primeiro semestre deste ano, o total exportado aos EUA encolheu 17,4%, na comparação com o mesmo período de 2025. A queda fez a participação do país na balança comercial brasileira recuar 1,4 ponto percentual, para 9,4%.
– Superávit comercial sustentou a desvalorização do dólar. Apesar do déficit para os EUA, os recentes saldos da balança comercial favorecem o Brasil. Em 2025, a cotação da divisa recuou 11,2% ante o real, com as exportações US$ 68,1 bilhões maiores do que as importações. Neste ano, o dólar acumula queda de 7,5% e o superávit da balança comercial é de US$ 42,4 bilhões.
– Tarifaço vai resultar na menor entrada de dólares no Brasil. A nova sobretaxa ameaça o bom desempenho da balança comercial. “O tarifaço deve reduzir parte do superávit da balança comercial, já que alguns produtos brasileiros perderão competitividade no mercado americano”, diz Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
– Novas tarifas abrem caminho para restringir a queda do dólar. A reversão da trajetória é esperada com a menor venda de produtos para os Estados Unidos. “Neste primeiro momento, a alta do dólar é uma tendência normal de proteção”, afirma Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing. Ele, no entanto, descarta a manutenção desse cenário por muito tempo.
– Evolução dos juros tende a ter impacto relevante para o câmbio. Rondinelli também observa um efeito de curto prazo das tarifas sobre o câmbio, mas explica que a diferença entre as taxas de juros do Brasil e dos EUA e a adoção da Lei da Reciprocidade podem ter efeito mais adverso para o futuro do dólar.
– Isenções atenuam efeito adverso para a balança comercial brasileira. Os mais de 2.100 produtos na lista de exclusões fazem com que as perdas tenham menor intensidade. “O impacto tende a ser menor do que o inicialmente esperado, porque produtos importantes da pauta de exportação, como petróleo, café, carne bovina, celulose e componentes aeronáuticos, ficaram de fora da nova tarifa”, avalia Lima.
Fonte: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/07/16/tarifaco—superavit-comercial.ghtm
Imagem: Thomas White/Illustration/Reuters
