Missão oficial do MPA ao país asiático abordou a ampliação da pauta exportadora de pescados, projetos de carbono azul e transferência de tecnologias como o congelamento IQF
Entre os dias 17 e 22 de agosto, uma delegação do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) – composta pelo secretário-executivo Lázaro Medeiros e pelo secretário Nacional de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva, Carlos de Mello – cumpriu agenda oficial no Japão. O objetivo da missão foi reforçar as relações bilaterais, identificar parcerias comerciais e promover a cooperação técnico-científica voltada à pesca, aquicultura e sustentabilidade.
A programação incluiu a participação na Japan International Seafood & Technology, feira que reúne produtores, compradores e fornecedores globais. Em síntese, a comitiva brasileira também realizou uma visita institucional ao Mercado Metropolitano de Peixe de Toyosu, em Tóquio, além de encontros com a Agência Nacional de Pescas do Japão e a embaixada brasileira.
Algicultura e o projeto “Blue Seaweed Carbon”
Em reunião com o Ministério do Meio Ambiente do Japão (MOEJ), a delegação debateu o fortalecimento da Economia Azul e o manejo sustentável de ecossistemas costeiros. As tratativas deram sequência aos diálogos iniciados durante a COP30, realizada em Belém (PA) em novembro de 2025, focando no potencial produtivo do cultivo de algas (algicultura).
Em resumo, a cooperação abrange o uso de macro e microalgas para a alimentação humana, desenvolvimento de bioestimulantes agrícolas, complementos para ração bovina voltados à redução de emissões de metano e geração de renda em comunidades litorâneas.
Paralelamente, o MPA e a Rede Algicultura BR apresentaram a proposta “Blue Seaweed Carbon Brasil-Japão: Carbono Azul, Serviços Ecossistêmicos, Bioeconomia Azul e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável da Algicultura Brasileira”. Em síntese, a iniciativa prevê:
Cultivos-piloto: Implantação de fazendas marinhas de macroalgas nativas na Região Nordeste.
Metodologias MRV: Desenvolvimento de parâmetros de monitoramento, relato e verificação para quantificação do sequestro de carbono.
Infraestrutura técnica: Estruturação de centros de referência em bionanotecnologia e biorrefinarias para aproveitamento industrial da biomassa.
Comércio de espécies e tecnologia de congelamento IQF
Durante reunião bilateral com o Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão (MAFF), a comitiva apresentou a pauta exportável do pescado brasileiro. Entre as espécies destacadas para a ampliação do comércio estão a tilápia, atum, lagosta, camarão e corvina, além de peixes amazônicos como o tambaqui e o pargo.
No campo tecnológico, o foco esteve na modernização das operações de processamento. Em síntese, o Brasil buscou propostas para a adoção de túneis criogênicos e equipamentos de congelamento individual rápido Individually Quick Frozen (IQF) ou congelamento técnico individual, essenciais para manter a qualidade estrutural do produto e viabilizar o transporte marítimo de longa distância.
Integração com o Programa Caminho Verde
A missão também abriu espaço para parcerias ligadas ao Programa Caminho Verde Brasil, iniciativa voltada à recuperação de solos e produção sustentável de alimentos.
Entre os projetos em análise estão a produção de camarão em áreas agrícolas salinizadas no Nordeste e o uso de biofertilizantes à base de algas. Sendo assim, a ideia é a revitalização de terras agrícolas, associando investimento em bioinsumos à resiliência climática do setor.
Fonte: https://www.seafoodbrasil.com.br/institucional/brasil-e-japao-alinham-acoes-para-economia-azul-algicultura-e-expansao-do-pescado/https://aquaculturebrasil.com.br/noticias/economia-azul-brasil-japao-parceria-aquicultura/
