A queda na renda disponível das famílias, impulsionada pelo direcionamento de verbas para plataformas de apostas, leva consumidores a estratégias de contenção de gastos, principalmente nos supermercados.
Levantamentos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) indicam que apostas on-line e jogos digitais estão competindo com as compras de supermercado, especialmente entre as classes B, C e D.
Este cenário resulta na redução do volume de compras e na troca por marcas mais baratas, conforme reportado na Carta Capital. Parte dos apostadores afirma ter cortado gastos com alimentação para manter os investimentos nas plataformas, impactando diretamente o faturamento do setor varejista.
Apostas comprimem orçamento familiar
A queda na renda disponível das famílias, impulsionada pelo direcionamento de verbas para plataformas de apostas, leva consumidores a estratégias de contenção de gastos. Muitos trocam marcas líderes por opções de menor preço, enquanto outros reduzem a quantidade de itens no carrinho de compras para equilibrar o orçamento mensal.
“O brasileiro não ganhou mais dinheiro, ele apenas redistribuiu a mesma renda.” Ele explica que, quando uma parcela do orçamento familiar é destinada às apostas, os supermercados perdem o ‘share of wallet’, ou seja, a fatia do bolso do cliente”, afirma Leandro Rosadas, economista especializado em gestão de supermercados.
Segundo ele, o consumidor continua indo à loja, mas sai de lá com menos itens ou prioriza o básico. “O faturamento do setor sente o golpe na queda do volume de vendas diário e na perda de margem de produtos de maior valor agregado”, complementa Rosadas.
Impacto no faturamento e produtos de valor agregado
Estudos de mercado revelam que o dinheiro que antes era utilizado em compras por impulso, como itens de mercearia nobre ou produtos de maior valor agregado, agora é consumido por meio de aplicativos de aposta.
Consequentemente, os supermercados perdem não apenas o volume de vendas, mas também a margem de lucro que provinha desses produtos premium, historicamente responsáveis por uma parcela relevante do faturamento do setor.
O comportamento de compra por impulso, que inclui aquele item extra levado no caixa, também sofre um recuo significativo. Segundo levantamentos, esse tipo de gasto é o primeiro a ser cortado quando o orçamento familiar se torna mais apertado.
Para Rosadas, a concorrência pela renda do consumidor não está em outra loja física, mas sim nos aplicativos de apostas.
Fonte: https://www.seafoodbrasil.com.br/varejo/apostas-online-desviam-orcamento-e-impactam-vendas-de-supermercados-no-brasil/
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