Bloco removeu o país de lista daqueles que cumprem regras contra o uso de antimicrobianos na pecuária.
A União Europeia confirmou, em publicação no Diário Oficial do bloco na sexta-feira, 05 de junho, a proibição de importar carnes, tripas, peixe e mel provenientes do Brasil. A medida entra em vigor em 03 de setembro e retira o país da lista de nações autorizadas a exportar esses produtos ao mercado europeu.
A decisão, anunciada há cerca de um mês — poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial Mercosul-UE —, tem como fundamento a avaliação da Comissão Europeia de que o Brasil não comprovou o cumprimento integral das exigências sanitárias do bloco, em especial quanto ao uso de antimicrobianos ao longo de toda a cadeia produtiva animal.
Em abril, o governo brasileiro proibiu parte dessas substâncias, comprovadamente utilizadas para estimular o crescimento e aumentar a produtividade dos animais. A União Europeia, no entanto, concluiu que as medidas adotadas ainda são insuficientes e que faltam garantias adicionais. As restrições europeias incluem substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina, vedadas pela política One Health, voltada ao combate ao uso excessivo de antibióticos.
A cautela do bloco não implica, necessariamente, contaminação das proteínas brasileiras. O cerne da decisão é regulatório: envolve rastreabilidade sanitária, certificações e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos. A UE figura entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne bovina em valor.
Segundo o governo brasileiro, para retomar o acesso ao mercado europeu, o Brasil deverá demonstrar conformidade integral com as normas do bloco em todo o ciclo de vida dos animais exportados. As alternativas são ampliar as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rigorosos de rastreabilidade — opção considerada mais complexa por exigir monitoramento detalhado, certificações adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
As exportações brasileiras de pescados para a União Europeia estão oficialmente suspensas desde janeiro de 2018. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) a medida é preocupante, principalmente considerando que o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor no início deste mês. Já a Frente Parlamentar da Agropecuária destacou que o acordo comercial entre os dois blocos deveria impedir qualquer tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas ou comerciais contra a competitividade da produção brasileira.
Fontes: https://agorars.com/agricultura/uniao-europeia-oficializa-veto-a-carnes-peixe-e-mel-do-brasil/https://agrorevenda.com.br/destaques/ue-oficializa-veto-a-carne-do-brasil-a-partir-de-setembro/
