Thamires Quinhões defende atuação integrada do setor e revisão tributária do salmão em seminário Chile-Brasil

Diretora-executiva da ABRAPES participou do painel no Hotel Unique, em São Paulo, e destacou o potencial de crescimento do consumo de pescado no país e os impactos da Reforma Tributária sobre a cadeia do salmão.

A Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (ABRAPES) esteve presente na sexta-feira, 07 de agosto, no seminário “Chile – Brasil: Construyendo Valor Compartido – El aporte del salmón chileno a la economía, el empleo y el desarrollo de Brasil”, realizado no Hotel Unique, em São Paulo. O evento, promovido pelo Consejo del Salmón de Chile, reuniu autoridades, empresários e representantes dos setores aquícolas dos dois países.

A diretora-executiva da ABRAPES, Thamires Quinhões, integrou o painel de conversação moderado por Pablo Barahona, diretor Internacional do Consejo del Salmón de Chile. Também participaram como painelistas Emerson Esteves, presidente da Peixe SP; Sebastián Valdivieso, gerente comercial da Mowi; Jaime Ercoreca, sales manager da Ventisquero; e Max Domínguez, diretor Latam da AquaChile.

Em sua intervenção, Thamires destacou o crescimento das importações de pescado e o papel do salmão no avanço do consumo no Brasil.

Segundo dados apresentados, até junho deste ano o Brasil importou mais de 166 mil toneladas de pescado, das quais cerca de 68 mil toneladas foram de salmão — equivalente a quase 41% do total. O volume representa um crescimento de mais de 13% em relação ao mesmo período de 2025.

“Essa tendência reflete a mudança nos hábitos de consumo dos brasileiros, impulsionada pela crescente demanda por proteínas saudáveis e pelo papel fundamental dos produtos importados na complementação da oferta nacional”, afirmou Thamires. Ela também ressaltou que o salmão conquistou espaço próprio na mesa do brasileiro e, em muitos casos, funciona como porta de entrada para o consumo de outras espécies, especialmente por meio da culinária japonesa.

Apesar da evolução registrada nos últimos anos, o consumo per capita de pescado no Brasil ainda está em aproximadamente 11 kg por habitante ao ano, bem abaixo da média mundial. Thamires lembrou que, em um país de dimensões continentais, pequenos avanços no consumo per capita geram impacto significativo sobre toda a cadeia produtiva.

Nesse sentido, a diretora-executiva da ABRAPES reforçou a necessidade de uma atuação coordenada entre os elos do setor: “Acreditamos que o setor deve atuar de forma integrada. Há espaço para o crescimento tanto dos produtos nacionais quanto dos importados. Mais do que competir entre nós, precisamos unir esforços para ampliar o consumo de pescado no Brasil, fortalecer toda a cadeia produtiva e aproveitar o enorme potencial de crescimento que o mercado brasileiro ainda oferece.”

Reforma Tributária e o enquadramento do salmão

Thamires também abordou a Reforma Tributária, reconhecendo a mudança nas leis de impostos do Brasil como um avanço importante para o país, especialmente no que diz respeito à simplificação do sistema, à redução de distorções e ao aumento da segurança jurídica. No entanto, apontou preocupação com a forma como o salmão foi enquadrado.

Atualmente, o produto está submetido à tributação integral do IVA dual brasileiro, com carga combinada estimada entre 26,5% e 28%, enquanto outras proteínas e diversas espécies de pescado passaram a contar com tratamento tributário favorecido. Como o Brasil depende da importação de salmão do Chile, a diferença de tratamento afeta toda a cadeia — importadores, indústrias de processamento, operadores logísticos, atacadistas, supermercados, restaurantes e serviços de alimentação —, gerando aumento de custos, pressão sobre preços e perda de competitividade.

A ABRAPES defende a revisão do enquadramento tributário dos salmonídeos, de forma que o tratamento conferido ao salmão seja compatível com sua importância econômica e alimentar. Entre as possibilidades apontadas estão a inclusão dos salmonídeos na Cesta Básica Nacional ou a extensão ao salmão da redução de 60% das alíquotas de CBS e IBS.

“Sabemos que promover uma alteração legislativa demanda um esforço não somente de um elo, mas de toda a cadeia. Somente com uma atuação coordenada e fundamentada conseguiremos construir uma solução que fortaleça a competitividade do setor e beneficie toda a cadeia produtiva”, concluiu Thamires.

A participação da ABRAPES no seminário reforça o compromisso da associação com o diálogo internacional e com o desenvolvimento sustentável da aquicultura e do pescado no Brasil.

Fonte: Consultoria de Comunicação da ABRAPES