Produção de pescado bate recorde global e América Latina reforça peso no comércio mundial de alimentos aquáticos


Produção aquícola na região avança 7,2% ao ano, mais que os 4,9% globais, e chega a 4,4 milhões de toneladas em 2024, com Chile, Equador e Brasil concentrando 79% do volume produzido.

A aquicultura na América Latina e no Caribe segue em trajetória de expansão acelerada e já responde por aproximadamente 25% da produção regional de animais aquáticos, impulsionada principalmente por espécies de alto valor comercial, como salmão e camarão.

Segundo dados compilados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o setor aquícola na região cresceu em média 7,2% ao ano, desempenho superior à média global de 4,9%. Em termos absolutos, a produção passou de 0,8 milhão de toneladas em 2000 para 4,4 milhões de toneladas em 2024, dentro de um total mundial de 103 milhões de toneladas.

Apesar do avanço, a participação da região ainda é relativamente modesta no cenário global, embora estratégica em determinados nichos produtivos.

O crescimento da aquicultura latino-americana está fortemente concentrado na América do Sul. Em 2024, três países responderam por 79% de toda a produção aquícola regional: Chile, com 1,4 milhão de toneladas; Equador, com 1,2 milhão de toneladas; e Brasil, com 0,9 milhão de toneladas.

Esses países se consolidam como polos produtivos e exportadores, com destaque para o Chile, líder regional e referência global na produção de salmão.

Expansão inclui novas fronteiras como as algas

O relatório aponta ainda que os países da América Latina e do Caribe continuam ampliando seus sistemas de produção aquícola, com atenção crescente ao cultivo de algas, segmento considerado promissor por sua aplicação em alimentos, ração e bioeconomia.

O Chile lidera também esse nicho emergente, seguido por Venezuela e Brasil, que começam a estruturar cadeias produtivas ainda em fase inicial de desenvolvimento.

Pesca marinha ainda domina o emprego no setor

Apesar do avanço da aquicultura, a pesca marinha segue como principal fonte de emprego no setor primário. Em 2024, cerca de 65,3 milhões de pessoas trabalhavam globalmente na pesca e aquicultura, sendo 35% na aquicultura e 56% na pesca de captura.

Na América Latina e no Caribe, mais de 3 milhões de pessoas atuam no setor, o que representa cerca de 5% da força de trabalho global ligada à atividade.

A pesca marinha responde por 73% dos empregos regionais, sustentando comunidades costeiras e rurais. A pesca de pequena escala também permanece central para a segurança alimentar, a renda local e a identidade cultural de populações tradicionais.

Consumo ainda abaixo da média global

Apesar de ser a segunda maior região produtora de alimentos aquáticos, a América Latina e o Caribe ainda apresentam consumo abaixo da média mundial.

Em 2023, a disponibilidade per capita de alimentos de origem aquática foi de 10,1 kg na região, contra 21,1 kg no mundo. Embora tenha havido crescimento desde 2000, o avanço anual médio de 1,8% resultou em aumento per capita limitado, de apenas 0,8% ao ano.

Perspectiva de expansão até 2034

As projeções da FAO indicam que a produção global de animais aquáticos deve crescer cerca de 8% até 2034, com a aquicultura liderando a expansão, com alta estimada de 26%.

Nesse cenário, a América Latina e o Caribe devem manter a posição de segunda maior região produtora de aquicultura, respondendo por cerca de 5% da produção global. “O trabalho da FAO na região mostra que a Transformação Azul pode gerar resultados concretos para as pessoas, as economias e os ecossistemas, fortalecendo cadeias de valor e melhorando a nutrição em comunidades vulneráveis”, afirma Orellana Halkyer.

Fonte: https://opresenterural.com.br/aquicultura-na-america-latina-cresce-acima-da-media-global/