PEC 6×1 pode elevar custos em frigoríficos, usinas e cooperativas e pressionar exportações do agro.
A aprovação da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1 coloca o agronegócio diante de um cenário de reconfiguração operacional e elevação de custos. O especialista Miguel Daúde analisou as consequências práticas da mudança para o setor, que emprega milhões de trabalhadores em atividades de campo, processamento e logística.
O que muda com a PEC do fim da escala 6×1
A proposta altera o regime de trabalho que permite seis dias seguidos de atividade para cada dia de folga. Com a mudança, a jornada máxima semanal é reduzida e os trabalhadores passam a ter direito a mais dias de descanso. O modelo vigente é amplamente utilizado em frigoríficos, usinas de cana-de-açúcar, granjas e operações de colheita contínua.
Setores mais expostos à mudança
Frigoríficos e processadoras de proteína animal lideram o grupo de maior exposição. Essas unidades operam em turnos contínuos e dependem da escala 6×1 para manter a capacidade de abate e processamento. Usinas sucroenergéticas, cooperativas de grãos e operações portuárias também figuram entre os segmentos diretamente afetados.
Análise de custos para o produtor e para a indústria
A reconfiguração da jornada exige contratação de mão de obra adicional ou reorganização dos turnos existentes. Em ambos os cenários, o custo operacional sobe. Para frigoríficos exportadores, a pressão sobre margens ocorre em momento de competição acirrada com concorrentes do Paraguai, Argentina e Austrália, que não enfrentam restrições equivalentes.
Reflexo sobre competitividade das exportações
O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango. Qualquer aumento estrutural de custo na cadeia de proteína animal afeta o preço de oferta no mercado internacional. A depender da magnitude do impacto, compradores asiáticos e do Oriente Médio podem redirecionar volumes para outros fornecedores.
Posição do setor e próximos passos regulatórios
Entidades como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) acompanham a tramitação e avaliam a necessidade de negociação de regimes específicos para atividades de natureza sazonal ou contínua. A regulamentação da PEC ainda define os detalhes de transição, o que mantém o setor em compasso de espera antes de anunciar ajustes definitivos nos quadros de pessoal.
Fonte: https://www.spacemoney.com.br/agronegocio/pec-fim-escala-6×1-impactos-agronegocio
Foto: REUTERS/Juan Gonzalez
