Durante muito tempo, a divisão do mercado de alimentação parecia simples: os supermercados vendiam os ingredientes, enquanto os restaurantes serviam as refeições. No entanto, essa fronteira está cada vez mais invisível. Com a ampliação da oferta de pratos prontos, sushis, pokes e rotisserias, as grandes redes varejistas passaram a disputar diretamente o horário de almoço e jantar do consumidor urbano.
No mercado de pescado, essa transformação tem sido um divisor de águas, mudando a forma como a proteína chega à mesa dos brasileiros e criando novas oportunidades para toda a cadeia produtiva.
Venda de soluções e a nova jornada de consumo
O varejo moderno está deixando de focar apenas no produto para olhar atentamente para a “ocasião de consumo”. Em resumo, a lógica atual é oferecer conveniência para um consumidor que tem cada vez menos tempo para cozinhar, mas não abre mão da qualidade.
Para Robson Parreiras, diretor comercial de perecíveis do Grupo Pão de Açúcar (GPA), a sobreposição entre os canais fica evidente nas refeições rápidas e durante o horário de trabalho.
“O supermercado passa a ocupar um espaço cada vez mais próximo do food service, oferecendo alternativas que unem praticidade e alimentação de qualidade em um único ambiente. O consumidor escolhe entre conveniência, preço, localização e qualidade”, destaca o diretor.
O salto do pescado nas gôndolas de prontos
Se a categoria de pratos prontos avança como um todo, as opções à base de peixe registram um desempenho ainda mais expressivo. No GPA, enquanto a categoria geral de refeições prontas cresceu 8% em 2026, as preparações com pescado saltaram 20%. Em síntese, apenas a venda de sushis superou a marca de 1,4 milhão de unidades no acumulado do ano.
Esse movimento é impulsionado por dois fatores cruciais: a busca por saudabilidade e a eliminação da barreira do preparo, um desafio histórico para o consumo de peixe no Brasil. “A saudabilidade é um dos fatores que impulsionam o crescimento. Os consumidores buscam alternativas equilibradas para o dia a dia. Além disso, o produto pronto elimina etapas de preparo que muitas vezes representam uma barreira para o consumo”, explica Parreiras.
Uma nova ocasião para a indústria
Para o setor produtivo, o avanço do food service de gôndola não canibaliza a venda do peixe fresco ou congelado, mas adiciona um novo momento de compra. Segundo Jairo Gund, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), essa tendência exige inovação direta das fábricas.
“Talvez o ponto não seja abrir mais um mercado, mas uma nova ocasião de consumo. O supermercado deixa de ser apenas ponto de venda de matéria-prima e passa a oferecer solução de refeição”, avalia Gund, ressaltando que esse é um dos instrumentos mais eficientes para aumentar a frequência de consumo da proteína no país.
Fonte: https://www.seafoodbrasil.com.br/varejo/de-ingrediente-a-prato-pronto-o-avanco-do-varejo-no-food-service/
Crédito: GPA/Divulgação
