Depois de dois dias de reunião, Conselho formou um grupo de trabalho que terá 90 dias para debater o assunto
A reunião que iria analisar a inclusão da tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras terminou na quinta-feira, 29 de maio, com a criação de um grupo de 12 representantes que terá 90 dias, após a publicação no Diário Oficial, para discutir critérios técnicos e científicos de classificação de uma espécie como invasora.
Durante dois dias, integrantes da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), órgão presidido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) que tem representantes de outros ministérios como Agricultura, Pesca e Aquicultura e também membros do setor produtivo, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e da sociedade civil, discutiram o assunto em Brasília.
A ameaça de inclusão da tilápia na lista revoltou o setor produtivo, já que ela representa 70% do volume de peixes de cultivo do país e é responsável por mais de 85% das exportações da piscicultura.
Francisco Medeiros, presidente da PeixeBR, diz que a inclusão da tilápia na lista vai provocar uma queda imediata nas exportações, porque nenhum país exporta uma espécie considerada prejudicial ao meio ambiente. A entidade estima que as perdas nas exportações podem passar de US$ 38 milhões.
Já o Ministério do Meio Ambiente, que preside a Conabio, diz que, mesmo que a tilápia seja classificada como espécie invasora, não muda nada no cultivo.
Segundo Lívia Martins, diretora de Biodiversidade e Florestas do Ibama que estava na reunião do Conabio, o Grupo de Trabalho Espécies Exóticas Invasoras Presentes no Brasil foi criado com o objetivo de definir os critérios e as prioridades de ação para prevenção, controle e erradicação de espécies exóticas invasoras (não apenas a tilápia) em nível nacional.
O grupo deve definir critérios de classificação, ações prioritárias e propor recomendações para subcategorias como espécies exóticas invasoras com cadeia produtiva consolidada (caso da tilápia), espécies invasoras sem interesse socioeconômico e exóticas invasoras que impactam negativamente atividades socioeconômicas (caso do javaporco).
O grupo poderá convidar especialistas e representantes de instituições com conhecimento técnico, científico e tradicional voltadas à biologia da invasão e a aspectos socioeconômicos e de impactos à biodiversidade para participar dos trabalhos e prestar informações.
Para Flávia Tavares, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, do ponto de vista técnico e ambiental, a tilápia não pode ser tratada automaticamente como espécie exótica invasora em todo o território nacional porque é necessário demonstrar, com evidências, que ela está estabelecida em determinado ambiente e que sua presença provoca efeitos ambientais negativos relevantes.
“Com as notas técnicas que vieram do setor produtivo, eles se sensibilizaram e entenderam que deram um passo levemente precipitado. E sugeriram a formação de um grupo de trabalho para a discussão do tema”, disse.
Fonte: https://globorural.globo.com/pecuaria/peixe/noticia/2026/05/conabio-adia-decisao-sobre-classificacao-de-tilapia-como-especie-invasora.ghtml
Foto: Divulgação/Embrapa
