Economia da China desacelera em abril, com consumo fraco, queda nos investimentos e maior pressão da crise no Oriente Médio
A economia da China perdeu força em abril e voltou a expor um problema que Pequim ainda não conseguiu resolver. O país segue exportando em ritmo forte, mas o mercado interno continua fraco.
Os dados divulgados pelo governo de Xi Jinping na segunda-feira mostraram desaceleração simultânea da indústria, do consumo e dos investimentos, num momento em que a guerra entre Irã, EUA e Israel elevou custos de energia e aumentou a cautela de empresas e famílias.
As vendas no varejo cresceram apenas 0,2% em relação ao mesmo período do ano passado, no pior resultado desde o fim de 2022. A produção industrial avançou 4,1%, abaixo das projeções do mercado.
Os investimentos em obras, imóveis e infraestrutura caíram 1,6% nos quatro primeiros meses do ano, enquanto o setor imobiliário continuou em retração, com queda de 14% nos investimentos em propriedades e recuo ainda maior em novos projetos residenciais.
O contraste ficou ainda mais evidente porque as exportações chinesas seguem avançando. Os embarques ao exterior cresceram 14,1% em abril, impulsionados sobretudo pelos setores de tecnologia, semicondutores e veículos elétricos.
Esse desempenho ajudou a sustentar parte da atividade industrial e reduziu a perda de ritmo da economia chinesa.
Apesar da desaceleração doméstica, o bom desempenho das exportações revela a crescente sofisticação da indústria chinesa em cadeias de valor de alto conteúdo tecnológico.
Esse resultado contribuiu para que o PIB registrasse expansão de 5% no primeiro trimestre, dentro da meta anual do governo, e mostra o avanço da China em setores industriais de maior valor agregado.
Mesmo com a dificuldade persistente de estimular o consumo interno, a força das exportações dá a Pequim mais espaço para calibrar políticas de apoio e reduzir impactos externos.
O problema para a China é que esse modelo tem mostrado sinais de desgaste. Economistas apontam que os consumidores chineses continuam evitando gastos maiores por causa da crise prolongada do mercado imobiliário, da queda de confiança e do receio com renda e emprego.
Mesmo com os estímulos graduais adotados pelo governo nos últimos meses, famílias seguem priorizando gastos menores e adiando compras de carros, imóveis e eletrodomésticos.
A pressão externa também aumentou. O avanço do petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio elevou custos industriais e ampliou o risco de inflação importada.
Autoridades chinesas já passaram a classificar o cenário internacional como complexo diante da combinação entre guerra, comércio mais instável e crescimento menor em várias economias, o que deve esfriar a demanda por produtos chineses.
Ao mesmo tempo, a dependência crescente das exportações amplia atritos comerciais com Estados Unidos e Europa, especialmente nos setores de carros elétricos, baterias e tecnologia.
O resultado é uma economia cada vez mais dependente das exportações e menos do consumo interno, justamente o desequilíbrio que Pequim vem tentando reduzir há anos.
Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/economia-da-china-desacelera-mais-do-que-o-esperado-sob-pressao-da-guerra-no-ira-e-da-crise-imobiliaria/
Foto: Tyrone SiuReuters
