UE suspende carnes, mel, pescado e ovos e ameaça vendas de US$ 2 bi do Brasil

Restrição entrou em vigor na quinta-feira (03) e atinge produtos brasileiros de origem animal. Europeus dizem não ter as garantias de conformidade brasileiras em relação aos antimicrobianos.

A suspensão das importações de produtos brasileiros de origem animal pela União Europeia começou a valer na quinta-feira, 03 de setembro, atingindo carnes bovina e suína, carne de frango, ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos.

A decisão impede que esses produtos sejam exportados para os 27 países do bloco e está relacionada às exigências europeias para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A medida não decorre da identificação de irregularidades nos produtos brasileiros, mas da avaliação da União Europeia de que os mecanismos de controle adotados pelo Brasil ainda são insuficientes para atender às regras do bloco.

A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento dos animais e também restringe, na produção animal, substâncias reservadas ao tratamento de seres humanos. O Brasil foi excluído, em maio, da lista de países considerados em conformidade com essas exigências.

Desde então, governo e setor privado tentam evitar a interrupção do comércio. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) adotou novas regras e o setor produtivo criou protocolos de controle e rastreabilidade. Apesar das medidas, a União Europeia não suspendeu a entrada em vigor da restrição.

Entidades das cadeias atingidas acompanham as negociações e avaliam os impactos. As consequências, porém, variam entre os setores.

Peixe não terá impacto imediato

Embora os pescados estejam entre os produtos abrangidos pela nova restrição, a piscicultura brasileira não espera impacto imediato.

Isso porque as exportações brasileiras de pescado para a União Europeia já estão suspensas desde 2018. Portanto, atualmente não há volume comercializado pelo setor com o bloco que possa ser diretamente interrompido pela nova decisão.

A preocupação está no médio e longo prazo. Uma missão europeia esteve recentemente no Brasil para avaliar as condições de produção justamente com o objetivo de avançar em uma possível retomada das importações.

Por que a União Europeia adotou a suspensão?

A decisão foi anunciada depois que a União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados em conformidade com suas regras para o uso de antimicrobianos na pecuária.

Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo o uso de substâncias como avoparcina, virginiamicina e bacitracina. Posteriormente, o Brasil propôs um período de transição para adequação às exigências europeias, mas a proposta não foi aceita pelo bloco.

Em junho, o governo anunciou um novo protocolo de controle, incluindo a rastreabilidade dos animais para comprovar o cumprimento das exigências relacionadas aos antimicrobianos.

Apesar das mudanças, o Brasil permanece fora da lista de países autorizados, e a suspensão entra em vigor enquanto continuam as negociações para tentar reverter a decisão.

Quanto o agro pode perder?

Apesar de a União Europeia representar uma parcela relativamente pequena do volume total das exportações brasileiras de carnes, o bloco é considerado estratégico pelo setor, especialmente pelo perfil e pelo valor agregado dos produtos comercializados.

Estimativas apontam que a suspensão envolvendo carnes, ovos e mel pode colocar em risco cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em exportações brasileiras. Além do efeito financeiro, representantes das cadeias atingidas acompanham possíveis reflexos da decisão sobre a imagem dos produtos brasileiros em outros mercados compradores.

Agora, a expectativa do setor está concentrada nas negociações entre o governo brasileiro e as autoridades europeias e nos resultados das auditorias realizadas no país. A reversão da suspensão dependerá do reconhecimento, pela União Europeia, de que os controles brasileiros atendem às exigências estabelecidas pelo bloco.

Fonte: https://www.canalrural.com.br/agricultura/suspensao-da-ue-as-importacoes-de-carne-frango-ovos-mel-e-peixe-comeca-a-valer-entenda-o-que-muda-para-o-agro/

Imagem criada por Emili Schneider/ChatGPT/OP Rural