Preços da indústria recuam em maio, mas acumulado do ano segue pressionado

Queda foi puxada principalmente pelos alimentos e pelas indústrias extrativas, enquanto produtos químicos e borracha mantiveram trajetória de alta

Os preços da indústria brasileira recuaram 0,30% em maio, interrompendo a sequência de altas registradas nos dois meses anteriores. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio do Índice de Preços ao Produtor (IPP), indicador que mede a variação dos preços dos produtos na saída das fábricas, sem a incidência de impostos e fretes.

Apesar do recuo mensal, o acumulado do ano permaneceu elevado, em 4,80%, enquanto a alta em 12 meses alcançou 1,99%. Em maio do ano passado, o índice havia registrado queda de 1,21%.

Entre as 24 atividades pesquisadas, apenas sete apresentaram redução de preços na comparação com abril. O principal impacto negativo veio do setor de alimentos, responsável por reduzir em 0,48 ponto percentual o resultado da indústria geral. As indústrias extrativas também exerceram forte influência, com retração de 5,90% nos preços e impacto de 0,30 ponto percentual.

Segundo o levantamento, a queda nos alimentos foi influenciada principalmente pela redução dos preços do açúcar VHP, do açúcar cristal, do leite UHT e do café torrado e moído. No caso do açúcar e do etanol, o avanço da safra da cana-de-açúcar contribuiu para ampliar a oferta, enquanto a valorização do real frente ao dólar também favoreceu a redução dos preços de produtos voltados ao mercado externo.

Por outro lado, alguns segmentos continuaram registrando fortes aumentos. O setor de borracha e plástico avançou 4,80% em maio, acumulando alta de 14,78% no ano, impulsionado pelo encarecimento dos insumos petroquímicos. Já o segmento de outros produtos químicos subiu 2,14% no mês e acumula elevação de 20,28% em 2026, refletindo os impactos das tensões geopolíticas internacionais sobre os preços das matérias-primas.

Nas grandes categorias econômicas, os preços recuaram em bens de consumo (-0,34%), bens intermediários (-0,29%) e bens de capital (-0,21%). Mesmo assim, os bens intermediários seguem concentrando a maior pressão inflacionária no acumulado do ano, com alta de 7,78%.

Regionalmente e por setores, os dados reforçam a influência das cadeias ligadas ao petróleo, mineração e indústria química sobre a formação dos preços industriais. Nas indústrias extrativas, por exemplo, o acumulado em 12 meses chegou a 16,65%, enquanto os produtos químicos registraram alta de 12,25% no mesmo período.

O levantamento também mostra que, embora o recuo registrado em maio represente um alívio pontual nos preços ao produtor, a inflação industrial segue concentrada em segmentos estratégicos da economia, especialmente aqueles dependentes de commodities, energia e insumos importados.

Fonte: https://agromais.uol.com.br/noticias/precos-da-industria-recuam-em-maio-mas-acumulado-do-ano-segue-pressionado